quarta-feira, 1 de julho de 2020

100011 (O post dos meus 35 anos)








2020. Eu comecei esse ano muito desmotivado, tanto que não fiz o meu orçamento anual depois de vários anos fazendo. Até o planejamento de metas foi preguiçoso e só planejei mesmo algumas coisas para estudar. Parece que eu tava era adivinhando que o tão sonhando 2020 da modernidade e da tecnologia seria assim meio coisado.






A tradição de fazer um post biográfico e reflexivo no meu aniversário nos trouxe até aqui porque no meu ano 35 eu acabei tendo que abandonar…


Os blogs. O governo acelerou as ações para acabar com a Dataprev e eu optei por ter uma atuação mais política no Facebook em detrimento ao tempo que os blogs me demandavam. Eu gastava umas 8 horas pra fazer um post que tinha algumas dezenas de visualizações e achei melhor direcionar esse tempo pra fazer dezenas de pequenos posts com centenas de interações no Facebook e demais redes sociais. Obviamente, essa estratégia impulsionou a minha busca por novos amigos mundo afora e hoje existem muitos amigos virtuais que têm uma presença gigante na minha vida.


A Dataprev. Em agosto, entramos oficialmente no PPI do salim mattar e do guedes que é um slide dizendo o quê e quando eles querem dar pros empresários amigos e a gente logo ganhou até uma data de óbito que seria no caso em dezembro desse ano – 2020! - o que, por sinal, batia com a minha expectativa após o resultado do primeiro turno da eleição.


Em novembro, saiu um boato que 20 escritórios seriam fechados e aparentemente era só um boato, mas aconteceu na primeira semana de 2020 quando a empresa anunciou a demissão sumária, falsamente de livre escolha, de 500 colegas em todo o país.


A minha primeira greve. O governo começou o ano a mil por hora e a gente teve que dar uma resposta equivalente e foi quando deflagramos a primeira grande greve nacional do governo bolsonero – uma rara demonstração de coletividade nos últimos anos. Os escritórios foram fechados, mas conseguimos realocar a maior parte dos colegas em outros órgãos do governo, conseguimos melhores condições para os que foram demitidos e conseguimos demitir a própria presidenta.







A manifestação virtual se juntava à manifestação real nas ruas e foi quando eu fiz


O protesto de raspar a minha cabeça depois de 18 anos do vestibular.









Os estudos progrediram e finalmente eu dominei o monstro do Java Script. Também aprendi muito na Dataprev sobre uma nova área da previdência. O Inglês excelente agora me possibilita assistir a qualquer vídeo sem legendas, embora eu ainda tenha muita dificuldade para produzir conteúdo. Inevitavelmente, também li e estudei muuuuuuito sobre…


A pandemia. Um colega meu me mostrava vídeos surreais da quarentena de Wuhan, e a gente estava compensando as horas da greve, quando o Governador decretou as novas regras de funcionamento da economia e o home office que foi discutido e adiado por anos virou uma realidade do dia pra noite.


O caos. Por causa do hub aéreo, da falta de infraestrutura e da alta densidade demográfica, Fortaleza se tornou uma das piores cidades em casos e mortes e as coisas ficaram bem dramáticas por aqui com um barulho contínuo e aterrorizante de ambulâncias, hospital em estádio e contêineres frigoríficos nas UPAs para acomodar os cadáveres. No nosso pior dia, 12/05, foram 125 óbitos. E há umas semanas eu escrevi que 1 em cada 1000 habitantes da cidade foi vítima fatal da pandemia.


O confinamento. Ainda bem que o meu emprego me permitia trabalhar de casa. Tínhamos saúde, uma excelente moradia, a nossa companhia em família, emprego, renda, poupança. Obviamente, nada disso caiu do céu. Tudo veio graças a muito estudo, trabalho e oportunidades. Então, estivemos em uma condição privilegiada para nos trancarmos em casa por 100 dias. Eu levei numa boa, mas as meninas sofreram mais, principalmente a Isabela com seus 7 anos que chegou a ter alguns pequenos “surtos”.


O negacionismo. E aí a ciência mundial, o capitalismo e a globalização foram extremamente humilhados e desafiados por um vírus invisível e foi justamente nos países em que as pessoas foram enganadas no WhatsApp de Jesus por Steve Bannon e elegeram líderes burros, fracos e negacionistas onde o vírus mais fez vítimas. Se já não bastasse todo o prejuízo econômico e social de uma eleição desastrosa, a pandemia multiplicou isso por 10. Escancarou ainda mais…


A falta de empatia que já vinha crescente nos últimos anos com um discurso enganoso de meritocracia, individualismo e empreendedorismo. É uma pandemia de um vírus, uma crise sanitária e só a união coletiva da sociedade melhora as chances de sobrevivência. A falta de empatia chegou aos menores níveis antes inimagináveis quando as pessoas se recusavam a se isolar, a usar máscaras e ainda se achavam no direito de fazer aglomerações e protestos políticos numa cidade onde morriam 100 pessoas por dia de uma doença desconhecida.






As fake news que garantiram uma vitória folgada na eleição resultaram agora em 6 dezenas de milhares de brasileiros e brasileiras mortos, ainda sob novas fake news de que as mortes não eram reais e o negócio ficou fatalmente recursivo.


A mentira venceu e continuou vencendo. E matando. E não ser mentiroso no Brasil se tornou motivo de vergonha, porque é inevitável você não se sentir um otário, quando vários Ministros de Estado mentem até no seu currículo oficial pra ficar no nível de um presidente que mente tanto que você nem acredita se ele tentar falar a verdade.


As máscaras estão caindo foi o que eu escrevi pra citar a queda de alguns mitos brasileiros que a pandemia tinha liquidado e também no sentido físico que muitos não sabem utilizar esse adereço altamente desconfortável a que nos vimos obrigados a incorporar ao nosso convívio.






O isolamento social veio pra ficar. São 2 metros de distância física para evitar a transmissão do vírus e, desde uma dica da minha irmã, eu avancei no isolamento de várias e várias pessoas da minha vida, seja no convívio físico, seja no convívio virtual. Quem não serve pra me ajudar, não faz a menor falta na minha vida.


A bolsa de valores foi uma nova aventura e aprendizado com a consultoria do meu irmão e o impulso dos juros negativos.


O Corinthians ficou pra trás em junho de 2019, então foi o meu primeiro ano inteiro sem Corinthians. Foi bem mais fácil do que todo mundo imaginava. E hoje realmente o que me faz falta é jogar futebol e, claro, tomar aquele banho de mar.


(Obviamente, a cura para essa pandemia que nos permita sair de casa novamente sem medo de morrer por um vírus e a gente volte a ter medo só dos assassinatos e acidentes de trânsito.)








A Isadora fez um curso pra aprender a dormir e, finalmente, depois dos primeiros 14 meses, voltamos a dormir noites completas na medida do possível. Mas ela é extremamente ativa e danada e demanda atenção em tempo integral. Ela dá muito trabalho. Em janeiro, finalmente conseguimos despachá-la pra passar umas horas na escola e aí, 2 meses depois, o que acontece? Todas as escolas do mundo fecham. É brincadeira!? Última moda dela é riscar todos os cantos possíveis da casa com todos os lápis e canetas possíveis.






A Isabela teve a sua formatura do ABC. Tempo mágico em nossas vidas e até hoje esperamos pelas fotos e filmagens que a pandemia atrapalhou. Ela é quem está lidando pior com o isolamento social. Está realmente muito agressiva e entediada. Mas já está bastante independente também.












A Alânia é como eu escrevi há umas semanas: nunca antes na história foi tão importante escolher bem com quem você quer conviver.






O home office tem sido positivo na medida do possível. Tem sido uma boa experiência até quem sabe para o futuro fazer um home office em euros. Até porque eu sempre priorizei ter um bom escritório em casa. E as atividades que eu peguei nessa fase se mostraram totalmente possíveis sem o convívio em escritório. Na verdade, o que está lascando o meu home office é o…






homeschooling. O sonho da elite branca conservadora está se mostrando um caos. Pra Isadora o EAD simplesmente não rola. A professora chega a gravar vídeos personalizados e exclusivos pra ela de 1 minuto, mas ela não chega nem nos 30 segundos. A Isabela se mostra relutante em fazer as aulas. Até faz e com relativa independência. Mas é imprescindível um acompanhamento pra que funcione. Enfim, é uma energia imensa dos pais e um ponto de muito estresse e conflito.






O aniversário. Eu já tinha escrito que os eventos sociais estavam bastante estranhos, principalmente os velórios solitários. Casamentos adiados. Aniversários só em família… A minha mãe estava planejando um forrozão e a gente nem sequer pode se ver no dia do aniversário dela. Os 2 anos da Isadora foram bizarros com a família participando por videoconferência e os vizinhos no pé da porta mantendo os 2 metros. O meu aniversário não deve ser menos estranho.







Os feriados. Também percebi e registrei como é estranho e bizarro demais os feriados em tempos de pandemia e home office. Inclusive, feriados futuros foram antecipados e a coisa ficou ainda mais bizarra.


O São João ou a não existência dele, com certeza, foi uma das maiores marcas da pandemia. Porque muita gente acha que o vírus é problema só dos outros, mas todos nós sentimos como é um junho sem os festejos juninos.


O Bon Jovi. Quase que eu publicava o post sem falar no maior sobe o som da minha vida. PQP que noite!










A saúde mental. A cada ano, tenho me sentido uma pessoa mais madura. Ficou bem piegas, mas é isso daí que taí. Atualmente, o que me deixa puto é a burrice e a falta de empatia das pessoas. As Isas também comem o meu juízo aqui no confinamento. Mas, tirando isso, me sinto muito tranquilo. Às vezes, até me surpreendo como eu tô levando um tempo tão ruim de forma tão tranquila. O emoticon de homem meditando virou o meu mais utilizado durante a pandemia. Um autoconhecimento muito bom de quem eu sou, onde estou, do que está acontecendo e quais alternativas eu posso criar pra mim. Enfim, um…


Aprendizado que se junta ao técnico e me torna aquele sertanejo forte pra o que vem pela frente.






O exílio se tornou uma possibilidade real e temos conversado bastante sobre se, como e quando tentarmos criar as Isas na Europa.


O futuro. Comecei falando que não tive tesão pra planejar 2020 e, acredite, a pandemia só piorou tudo isso. Mas a meta é deixar o máximo de portas abertas. Até breve. Até um dia.


Obrigado a todos os familiares e amigos que me ajudaram no meu 35o ano a me tornar essa nova pessoa que sou hoje. Valeu!









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Ei, psiu, se liga…
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