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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Celebrando os 4 anos e as 100 mil visualizações do blog Fazendo um Projeto dar Certo





 
Há 4 anos, eu publicava o meu primeiro post na Internet: o blog que virou um livro que virou um blog…




Uma viagem incrível para divulgar o meu livro, conhecer pessoas do mundo inteiro e aprender com elas.


4 anos e 184 posts depois, aqui estamos comemorando as 100 mil visualizações!







É isso aí! O projeto 1 Post por Dia tá bem bacana e estamos relembrando os melhores momentos dos blogs.


Agradeço imensamente a todas e a todos que estiveram junto comigo ao longo desses 4 anos.


Quase 10% da audiência do blog, veio do nosso post mais lido de todos, quando praticamente todos os internautas da minha cidade se conectaram com o blog:








Mas o post mais queridinho de todos, o mais resiliente que “sobe no pódio” toda semana, que se conecta de forma mais intensa com as pessoas e que rende os comentários mais carinhosos é esse:









E o desenho que abriu o post foi um presente da minha filha Isabela (de 6 anos), inspirada no comercial da Faber-Castell (Aquarela), para comemorarmos os 4 anos e as 100 mil visualizações no blog!


É isso aí! As notícias boas são cada vez mais raras e, mais do que nunca, devemos comemorá-las bastante.


Celebrate
good times,
come on!






Vida longa aos blogs. Um abraço!


Compartilhe o blog. Compartilhe ideias boas com a gente.


Ei, psiu, se liga…
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

E aí, macho, vai encarar?






Eu tô muito cansado cuidando de uma bebêzinha e ainda tem a filha mais velha, esposa, trabalho… Enfim, cada post inédito tem sido cada vez mais duro. Eu me olho no espelho e penso: e aí, macho, vai encarar?


Mas os blogs têm um propósito importante na minha vida, então vamos tentando…


Hoje eu vou dar uns pitacos sobre o acidente trágico recém-ocorrido no Beach Park, sempre tentando abordar por gestão, projetos e marketing.




O Acidente


No último 16 de julho de 2018, quatro adultos desciam em uma boia no brinquedo recém-inaugurado: Vainkará. Supostamente por excesso de peso, a boia ganhou muita velocidade e, na última virada, capotou, arremessando as pessoas contra o brinquedo. Um destes bateu com a cabeça e, tragicamente, faleceu.



[Vídeo demonstrativo de uma descida bem sucedida]




O Antimarketing


O Beack Park é um parque extremamente caro e turístico, não necessariamente nessa ordem. Pelo que apurei, o parque bombou após a crise que fez com que os turistas brasileiros fossem menos ao exterior. O parque recebe mais visitantes de São Paulo, do Rio de Janeiro e só depois, nós próprios, nativos.


Nessa toada, eles têm uma visão estratégica de sempre inaugurar novas superatrações no mês das férias (julho). É uma forma de não deixar cair na rotina e fidelizar um público para que volte sempre.


Só que ninguém quer pagar caro para morrer né, meu chapa!? Ninguém quer morrer em um lugar turístico em um momento de lazer.


O parque se propõe a ser um parque radical. Óbvio que há brinquedos para todos os gostos, níveis e idades, mas é nos brinquedos radicais onde o parque se destaca.


E a equipe do marketing “vai com tudo” na hora de bolar nomes intimidadores: Insano, Kalafrio, Arrepius, Vaikuntudo, além do finado Vainkará.


Os brinquedos radicais apresentam as indicações de risco e segurança, como restrições para grávidas e hipertensos, e, na maioria deles, réguas para impedir que os baixinhos se arrisquem. (É a régua que você tá pensando mesmo. Aquelas que a gente vê em consultórios pediátricos.)


E o povo do marketing caprichou no lançamento do Vainkará: trouxeram vários artistas e digital influencers (calma, pai). Daí, eles iam postar fotos e vídeos se divertindo no brinquedo e shazam!


Mas esse gravíssimo acidente no primeiro dia da operação oficial do brinquedo para o público em geral fudeu tudo!


Trouxe muita mídia negativa em todo o mundo para o parque.


É tanto que, quando começaram a compartilhar a notícia comigo, eu achei logo que era mais uma fake news de WhatsApp.


O brinquedo caríssimo está fechado desde então. E o parque ficou fechado em um dia de julho. Só isso aqui já foi um prejuízo milionário.




O Projeto


O Vainkará foi desenvolvido pela empresa canadense ProSlide. Ela se gaba de ser a número 1 em toboáguas radicais no mundo e que, dentre milhões de brincantes, foi apenas a primeira vítima fatal em seus brinquedos.


O projeto do Vainkará custou 15 milhões de reais e teve 2,5 anos de desenvolvimento, implantação e testes.










Oficialmente, foram realizadas mais de cem descidas de testes com o brinquedo já montado.






O Jogo dos 7 Erros


Eu tenho muito medo de voar, mas esse medo diminuiu bastante depois que eu comecei a assistir documentários sobre acidentes de avião. É rapaz! Lá eles investigam tudo nos mínimos detalhes para descobrir porque o acidente aconteceu e tomar medidas práticas para evitar que acidentes daquele tipo se repitam. É fantástico!


Só que a investigação dos acidentes não é objetivando punir pessoas “culpadas”, mas sim, entender o que deu errado para que não aconteça novamente.


(Eu tenho certeza de que o Vainkará está passando por uma investigação desse tipo.)


Então, eu vou listar aqui alguns erros que vi nessa história toda.


1. Funcionários – eles tinham a missão de não deixar uma boia descer com mais de 320 kg. Então, analisando friamente, o erro foi deles.


Mas eu não sou FDP de vir aqui jogar tudo nas costas dos funcionários do parque que ganham um salário “mínimo” para controlar centenas de descidas por dia.


2. Administração do parque – eles tinham que dar condições para os funcionários validarem a restrição de 320 kg por boia. Obviamente, com uma balança de precisão. Tal como são precisas e inquestionáveis as tais réguas que eu citei.


3. Processo – o processo de operação do brinquedo era totalmente falho. Os funcionários tinham que validar no “olhômetro” se o peso estava adequado. Uma vez por minuto durante horas e horas. Isso controlando turistas curiosos e ávidos pela descida radical, depois de passar uma hora em uma fila em uma escada.


4. Falta da balança – se o peso era realmente um elemento tão crítico para a segurança, jamais esse brinquedo poderia operar sem uma balança à disposição para validar esse quesito importantíssimo.


5. Quantidade de testes – “mais de cem” testes eram suficientes?


6. Qualidade dos testes – que variações foram feitas nesses testes? Quando desenvolvemos sistemas, nós temos dezenas de tipos de testes diferentes. E um destes é o teste de estresse. A gente senta a porrada no sistema pra ver quando ele peida, digo, a gente sobrecarrega o uso do sistema para ver como ele vai se comportar e qual o máximo que ele vai suportar. Quantas descidas com mais de 320 kg foram feitas? Com quanto mais que 320 kg? Obviamente, usando manequins, né?


7. Projeto – no entanto, na minha opinião, o maior erro de todos foi do projeto do brinquedo: como é que um brinquedo para 4 adultos só suporta 320 kg? Como gastar 15 milhões para desenvolver um brinquedo praticamente inútil? Como não ter uma balança acoplada ao brinquedo? Pior ainda é saber que o brinquedo “irmão”, o Vaikuntudo padece da mesma restrição. Obviamente, considerando que este outro brinquedo já opera há 2 anos, os 320 kg lá foram subdimensionados, o brinquedo aguenta mais que isso é já houve descidas não fatais com mais de 320 kg. Porque é impossível reunir grupos de 4 adultos aleatoriamente durante dois anos e não exceder 320 kg.




A Calculadora


E esse episódio só me cheira a fake news. Eu digo isso porque li essa notícia e tive muita dificuldade para acreditar que não era uma fake news:




Fala sério, bicho!?


Que coisa mais tosca e amadora para um parque que quer ser referência mundial!


Tudo bem que algum diretor tenha surtado no meio de tanta pressão, mas o colegiado tinha que manter a sanidade nessas horas.




Eu no Beack Park


(Pra o post não terminar muito pesado haha)


O Beack Park é um lugar mágico. Quando você atravessa o portal, literalmente a sua aura muda, parece coisa de filme fantástico. Lá dentro, todo mundo muito feliz com o espírito renovado. É contagiante. Tudo muito bonito e colorido. Água e alegria pra todo lado. Tem até um rio e um mar de mentirinha.


Comecei a ir através de excursões com a turma da empresa. Conseguimos 50% de desconto e o passeio supercaro ficou apenas caro.


Mas eu, sertanejo que acha que água é ouro, sou suspeito para falar de um superparque aquático na beira da praia.








Eu nunca fui muito radical nem empreendedor. Gosto de coisas bem planejadas, pé no chão. Mas, na folia e pra valer o ingresso, cheguei a ir em algumas atrações de radicalidade média. Inclusive é um dos meus vídeos mais vistos no YouTube:







(Fala sério que esse vídeo já fez 10 anos!)


Obviamente, depois da tentativa, eu fico arrependido e decido não ir de novo.


Daí, a Isabela nasceu e o meu passeio ao Beach Park mudou completamente. Agora eu me divirto bastante vendo ela se divertir. Quem é pai, entende do que eu estou falando.








Enfim, se for acessível para você, vá ao Beach Park pelo menos uma vez na vida.


Vida longa ao Beach Park, e, mais importante: vida longa à Beach Park FM!


Um abraço e até um dia no Beach Park ou em qualquer outro lugar.



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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Projeto de tirar os pivetes da caverna





Atendendo a pedidos, vou dar os meus pitacos sobre o resgate dos Javalis Selvagens (time de futebol de adolescentes da Tailândia) da caverna Tham Luang, na província tailandesa de Chiang Rai, região rural do país. A caverna fica bem abaixo da cadeia montanhosa que separa a Tailândia de Mianmar. Provavelmente, a história mais louca que você vai ouvir em 2018.


Como o blog é sobre gerenciamento de projetos, é por aí que eu vou tentar abordar o assunto.


Depois de ter filhos, você lê esse tipo de notícias de outra forma. Você se vê bem mais envolvido porque é impossível não pensar que poderiam ser as suas pequenas ali naquela agonia. E é óbvio que foi isso que gerou um tsunami mundial de empatia pelo resgate dos pivetes.


A pergunta que eu e muita gente fez foi: por que diabos entrar nessa caverna?


À primeira vista, é um pouco difícil de entender essa decisão. Então, é preciso entrar na caverna, digo, entrar no assunto. A região onde eles moram tem cavernas. Então, faz parte da cultura deles explorá-las. É um lazer. Uma aventura radical. Em alguns casos, funciona até como um “rito de passagem” juvenil. E era a comemoração do aniversário de um dos Javalis.


Só que essa caverna em específico só pode ser visitada de novembro a abril, período seco! Foi aí que os Javalis vacilaram. E eles se viram em apuros quando a caverna foi inundando e a única “saída” foi adentrar cada vez mais. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.


Nessa brincadeira, os meninos (e o seu treinador) foram encontrados a 4 quilômetros da entrada da caverna, em um percurso com vários trechos submersos e muito apertados e outros trechos que demandavam até escaladas. Os mergulhadores profissionais estavam demorando 6 horas para ir e 5 horas para voltar. E foi numa dessas viagens que um desses mergulhadores (militar e triatleta) veio a falecer.






Pois bem, alguém sentiu falta dos meninos, alguém lembrou que eles tinham falado nesse passeio na caverna, alguém viu umas bicicletas na entrada da caverna e é aqui que começa o post: Projeto de tirar os pivetes da caverna!


Como foi formada a equipe do projeto? Basicamente por militares tailandeses e voluntários da comunidade, do país e de outros cantos do mundo, cada um com habilidades específicas para contribuir com o resgate.


Quem era o gerente do projeto? Difícil falar sobre isso, mas a escolha natural recaiu sobre um militar.


A equipe chegou a contar com 10 mil pessoas! E como gerenciar isso, meu Deus!? Sem contar que era uma gestão bastante emotiva por se tratar de um resgate desafiador de crianças.


Como planejar esse projeto? Quando se fala em um resgate, não há muito tempo para planejar. Fazer de qualquer jeito também é muito arriscado, pois pode vir a custar muitas vidas de resgatados e resgatadores. O planejamento principal era estudar as opções viáveis e os tempos para executá-las.


Esperar a caverna secar parecia a opção mais sã. Isso falando como uma pessoa que mora a 17 mil quilômetros da caverna. Os locais logo avisaram que a caverna seria totalmente inundada e essa opção não deveria ser cogitada.


De todo modo, bombas d’água trabalhavam a todo vapor e isso ajudou a manter os níveis de água dentro da caverna.


Ainda tentaram perfurar a caverna, como no resgate dos mineiros do Chile, mas as rochas duras, a profundidade e o paradeiro desconhecido dos Javalis não deu sucesso a essa opção. Também tentaram usar drones com sensores térmicos.


Enquanto isso, uma equipe com cem mergulhadores se aventurava na caverna escura em busca dos meninos. Eles se basearam nas pistas do local favorito que eles frequentavam e nas possíveis rotas de fuga.


Depois de 9 dias, os Javalis foram encontrados, literalmente pelo cheiro!


Eles estavam todos vivos e com uma saúde mental inimaginável. Pediram até aos professores para pegarem leve na lição de casa, é mole? O treinador os ensinou a meditar e isso foi fundamental para que eles conseguissem poupar energia bem como a sua sanidade mental.


Também contaram com a sorte de achar um abrigo que tinha uma quantidade satisfatória de oxigênio, água potável caindo do teto, da caverna ainda não estar 100% inundada e da persistência e coragem de uma equipe incrível de mergulhadores.


E aqui um parêntese para um dos lances que eu achei mais geniais dessa história toda. Ao ver o mergulhador, instintivamente, um dos garotos perguntou: “nós vamos sair daqui?”. A resposta que qualquer um de nós daria seria “sim”. A resposta correta seria “não”. Mas ele foi extremamente frio e genial ao responder: “hoje não”.







Ok. Por mais impossível que parecesse, os meninos foram encontrados e vivos. Final feliz!


Só que não haha


Agora era preciso tirá-los de lá e devolvê-los aos seus pais. Os desafios só aumentavam!


Como tirar da caverna garotos fracos e famintos que nem sabiam nadar por uma caverna que matou um mergulhador profissional?


Enquanto isso, foi instalado um cabo (“estrada”) para o local. E os meninos ganharam companhia, auxílio médico, alimentação, treinamento básico em mergulho, oxigênio, luz, agasalhos, telefone e outras coisas possíveis.


Não bastasse tudo isso, ainda tinha um monte de gente querendo lucrar às custas da tragédia alheia. Sabe, o bicho-homem, o bicho no lixo da minha poesia Miragens? Gente querendo se promover como o cara que convidou os meninos para a Final da Copa do Mundo ou o outro que queria resgatá-los com um minisubmarino. Nessa mesma linha, já tem uns doidinhos querendo produzir o filme do resgate.


Enfim, chega uma hora de decisão em que o patrocinador do projeto precisa dar o play, apertar o botão.


E me parece que a decisão não foi difícil quando alguém falou no ouvido dele: “bicho, tá chovendo muito e em dois dias essa merda toda vai inundar”. Partiu!


É tão verdade que foi uma surpresa para todos quando soubemos que alguns meninos já estavam fora da caverna.


Então, do ponto de vista da teoria de Gerenciamento de Projetos, a inundação completa da caverna não era um risco, uma vez que já se tinha certeza de que isso aconteceria.


Um lance de muita polêmica diz respeito à sedação dos garotos. Afinal, eles foram ou não sedados? Eu acho que foram e acho que essa foi a parte mais genial de todo o projeto! Quem teve essa ideia tá de parabéns! Eu acho que isso foi o pulo do gato. Foi determinante para que todos saíssem vivos.


Afinal, o tanque de oxigênio dura uma hora para um mergulhador experiente, mas dura apenas cinco minutos para uma pessoa afobada.






Os Javalis Selvagens viraram celebridades mundiais e, como bons adolescentes que são, sabem que fizeram “merda”. Pediram desculpas por várias e várias vezes. Inclusive foi a primeira mensagem que o treinador conseguiu enviar.


A equipe do hospital não deixou a bola cair e também fez um planejamento impecável para a recuperação e o restabelecimento planejados dos “morcegos”: nada de contatos físicos com pessoas, nem mesmo com os parentes próximos; tapa-olhos nos primeiros dias; restabelecimento gradual e planejado da alimentação.


Sensacional! Isso é Fazendo um Projeto dar Certo!






Obviamente, não encontrei nada sobre os custos do projeto desse resgate. Quanto custou essa brincadeira? Difícil saber ainda mais com tanto trabalho voluntário envolvido… Mas, como falei antes, os meninos têm plena consciência que fizeram “merda”.


Acho que é pra isso que um país investe em suas tropas. Do orçamento militar deve ter vindo a grana com a qual tanto oxigênio e outras coisas mais foram compradas.


E pro filme arrecadar ainda mais bilheteria, a bomba d’água falhou quando uma centena de heróis ainda estava tentando sair da caverna. Alguém gritou: “madeeeeeeeira” e foi aquele desespero na saída final!


Naturalmente, a região vira atração turística mundial e os nativos vão lucrar muito ainda com isso.


E, se você não gostou da minha narrativa, segue a narrativa bem mais rica (em todos os sentidos haha) da BBC:




Na vida é assim também. Às vezes, a gente se enfia em cavernas terríveis e, quando se dá conta, não consegue mais sair de lá sozinho. #PQP






Um grande abraço, até a próxima e, como é o tema do post, espero te encontrar um dia por aí, mas, obviamente, fora de uma caverna.


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